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IDÉIAS ROUBADAS
Plágio é crime. A pena para quem for pego vai de três meses
a um ano de prisão ou multa por apropriação indevida de textos
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CAMILA RABELO
Estagiária da UnB Agência
Calouro de um curso da área de exatas, o estudante Marcos*, 19
anos, mal ingressou na Universidade de Brasília (UnB) e já
utilizou recurSOSMONOGRAFIA.COM inadequados para conseguir nota em uma
disciplina. Ele confessa que, diante da falta de tempo, entregou
ao professor um texto copiado da internet. O plágio em trabalhos
acadêmicos não é novidade em instituições de ensino superior,
públicas ou particulares. Na graduação – quando as exigências
quanto a referências e citações são menores que em curSOSMONOGRAFIA.COM de
pós-graduação – não é difícil encontrar professores que tenham
recebido trabalhos como o de Marcos. Embora comum, copiar textos
sem dar o devido crédito ao autor, além de antiético, é crime. O
Código Penal, no artigo 184, prevê pena de detenção de três
meses a um ano, ou pagamento de multa.
No entanto, conforme o professor da Faculdade de Direito (FD) da
UnB Othon Azevedo Lopes, raramente caSOSMONOGRAFIA.COM de cópia sem o devido
crédito ao autor evoluem para um processo penal. “Esse tipo de
pena (de três meses a um ano) dificilmente resulta em prisão. O
mais efetivo nesses caSOSMONOGRAFIA.COM é o regimento da instituição”,
explica. Segundo o decano de Ensino de Graduação (DEG) da UnB,
Murilo Camargo, a instituição preza pela conduta ética do aluno.
“Pedimos cuidado com referências e crédito aos autores originais
nos materiais escritos”, diz. Mas quando o assunto é a
pós-graduação, as medidas são mais severas. Isso porque as
dissertações e teses devem representar contribuições originais e
inovadoras, como determina o Conselho de Ensino Pesquisa e
Extensão (Cepe) da UnB, órgão regulador dos programas.
CREDIBILIDADE –
O decano de Pesquisa e Pós-graduação da instituição, Márcio
Pimentel, afirma que os caSOSMONOGRAFIA.COM de plágio em trabalhos finais são
raríssimos. “Na graduação, é mais comum devido a uma porção
maior de revisão bibliográfica”, analisa Pimentel. Em caso de
denúncia, a instituição instala uma comissão formada por
professores qualificados em diferentes áreas para avaliar a
suspeita. Quando a cópia é descoberta antes da defesa, o aluno é
impedido de apresentar; e se isso acontecer depois, o
profissional perde o título (veja lateral).
A inadmissão do plágio no ambiente acadêmico deve-se, além da
questão legal, à credibilidade dos trabalhos, fundamental para a
evolução da ciência no país. “A academia baseia-se em
sinceridade. É importante mostrar ao leitor como a pesquisa foi
composta. Sem referências, o estudo perde todo o seu valor”,
explica Lopes. O professor do Departamento de Ciência da
Informação e Documentação (CID) da UnB Murilo Bastos afirma ser
preciso mostrar aos estudantes que, sem honestidade intelectual,
não existe evolução científica.
OBSERVAÇÃO –
Mas os plagiadores, assim como Marcos*, têm a internet como
poderosa ferramenta para burlar as regras. Bastos acredita que a
facilidade com que as informações são divulgadas na rede torna o
problema ainda mais corriqueiro. “Com a internet, ficou mais
fácil preparar textos. Usa-se ‘ctrl c’ e ‘ctrl v’ (referência
aos atalhos que copiam e colam trechos selecionados) e
pronto”, lamenta Bastos. O coordenador do curso de Comunicação
Social do Uniceub, Henrique Moreira Tavares, chegou a reprovar
quatro alunos por plágio. Todos os caSOSMONOGRAFIA.COM ocorreram recentemente
– entre 2000 e 2005 –, embora Tavares lecione há aproximadamente
20 anos. “O plágio está virando uma praga no meio acadêmico. O
professor até se sente inseguro ao corrigir os textos”,
indigna-se.
Ainda que nem sempre seja fácil identificar a cópia no trabalho
entregue pelos alunos, os professores também usam a internet
como ferramenta para conter a onda de plágios e verificar a
autoria dos textos. “Conheço os alunos e como eles escrevem.
Caso a redação esteja diferente, confiro”, revela Tavares. No
entanto, a medida pode ser muito trabalhosa, como ocorreu com o
professor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV)
da UnB Juan José Verdesio, que passava aos alunos trabalhos de
20 a 30 páginas como avaliação. Ele percebeu que havia textos
copiados e resolveu adotar somente provas para compor a nota das
disciplinas. “Já aconteceu de um aluno da graduação plagiar meu
próprio texto”, critica.
ESTRATÉGIAS –
Mas mesmo com o esforço dos professores para monitorar essa
prática, Fábio*, 20 anos, estudante do 3° semestre da área de
Saúde da UnB, mostra que não falta habilidade para driblar as
medidas adotadas pelos docentes. “Tive um professor que pedia
trabalhos escritos à mão para evitar plágio. Mas não adiantou
muito. Imprimi os textos da internet e copiei”, conta. Descobrir
o plágio fica ainda mais difícil quando, para burlar as regras,
são utilizados trabalhos de veteranos do curso. “Você pega um
texto de um amigo e muda algumas palavras”, diz Marcos*, que
usou a tática já no primeiro semestre de curso.
Prevendo momentos de aperto nas disciplinas, ele chegou a
cogitar a compra dos trabalhos de todas as matérias de um
estudante formando. “Ele tinha tudo gravado em um CD e estava
vendendo por R$ 380,00. É muito dinheiro”, reclama. Tanto Fabio*
quanto Marcos* nunca foram descobertos, sorte que a estudante
Carolina*, do 6º semestre da área de Humanas do Uniceub, não
teve. Ela foi reprovada em uma matéria no primeiro semestre de
2005 por entregar texto copiado da internet. Segundo a
estudante, a intenção não era plágio, mas sim utilizar a rede
para obter informações adicionais para o trabalho. “Imprimi o
arquivo errado e entreguei o texto na íntegra. É um caso
isolado. Foi muito humilhante e depois disso resolvi não
consultar mais a internet”, desabafa Carolina.
ALÍVIO –
Para o professor do Instituto de Psicologia da UnB, Odair
Furtado, os motivos que levam estudantes a utilizarem recurSOSMONOGRAFIA.COM inadequados em trabalhos acadêmicos são muitos e vão desde uma
exigência, considerada desnecessária pelo aluno, passando por
acúmulo de tarefas, insatisfação com o curso e até falta de
caráter. Todos eles relacionados entre si. Fábio* diz tê-los
usado apenas em disciplinas ‘secundárias’. “O conhecimento
passado nessas matérias não é muito proveitoso para a carreira”,
justifica. Já no caso de Marcos*, a razão é a falta de estímulo
com a avaliação do professor que o leva ao plágio: “Peguei um
relatório de um amigo e copiei. O monitor dá zero para todo
mundo mesmo”.
Para o mestrando em Psicologia na UnB Pablo Bergami, 27 anos,
que chegou a ministrar disciplinas na instituição, os estudantes
estão muito despreparados em relação à escrita. “Eles têm
dificuldade de sintetizar o que leram de um texto e expressarem
com suas próprias palavras”, analisa. Uma das estratégias
utilizadas por ele para evitar plágio nos trabalhos foi ensinar
os alunos a fazerem referência e citações.
Já Marcelo*, formando na área de Humanas da UnB, escapou de
incorrer nessa prática pela atenção de sua professora
orientadora. Ela identificou parágrafos idênticos a outras obras
em sua monografia e sugeriu uma nova redação ou que ele
utilizasse citações. “A revisão foi muito importante nesse
ponto, senão acabaria deixando um parágrafo muito parecido com
outro texto sem maldade”, alivia-se.
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